Influência: construindo uma tribo a partir de um porquê e uma causa justa

Flavia Gamonar

O que dizemos, produzimos e fazemos influencia pessoas o tempo todo. Você não precisa ter recebido um selo ou chancela de ninguém, tampouco ter milhões seguindo seu perfil em uma rede social. É que a influência vai muito além do contexto digital, ela acontece o tempo todo, até mesmo no corredor de um supermercado. Prateleiras e disposições influenciam você. Pessoas vendo você pegar este ou aquele produto são influenciadas. Comentários e endossos sobre um produto geram curiosidade e o desejo de tê-lo também, especialmente se você confia no que aquela pessoa diz.

A verdade é que temos receio de assumir que somos influenciados o tempo todo. Sua mãe influencia fortemente você quando diz para levar um casaco, porque vai chover. Mesmo que olhando para o céu não exista nenhuma nuvem denunciando isso. E você a ouve.

Em canais digitais, a influência é geralmente atribuída a uma pessoa que detém mais “moeda social” do que o normal. Seu público a considera e ouve. Apesar de todos nós influenciarmos, não podemos achar que no contexto das mídias sociais só exista um tipo de influenciador. Celebridades podem ser seguidas e consideradas por muita gente, mas não necessariamente são criadoras de conteúdo capaz de gerar confiança. Os tipos de influenciadores podem ser vários: o blogueiro, o vlogger, o expert em um assunto profissional, os focados em animais, bebês, objetos e memes, o empreendedor, o que possui algum talento, a celebridade, os que disseminam estilo de vida, os ativistas, políticos ou empresários notáveis e as pessoas reais.

A influência pode agregar valor em sua carreira e isso já acontecia muito antes do cenário digital. Ela também pode ajudar a promover seu negócio, ajudar você a ganhar mais, levar à diversas possibilidades, convites e palcos.

Conteúdo é capaz de influenciar. Se for criado direcionado à um público específico e carregado de conhecimento, argumentos e persuasão, mais ainda.

Um dos fatores mais decisores para a influência positiva acontecer é você ser capaz de selecionar bem os temas que serão abordados. Para isso, é preciso mirar em um público. É claro que podemos falar com multidões sobre tudo e todos, mas de algum modo sempre teremos uma trilha a seguir, porque somos limitados de qualquer forma em relação ao que podemos produzir, emitir opiniões e abordar no dia a dia. Além disso, quem fala com todo mundo, pode estar falando com ninguém.

Seth Godin, autor de “Tribos”, nos lembra de que esses grupos sempre existiram, mas hoje a internet elimina barreiras. Assim, agora existem mais tribos, tribos menores, influentes, horizontais e verticais e uma explosão de novas ferramentas para liderá-las. De acordo com ele, as pessoas estão à procura de um movimento, elas querem ser lideradas. Querem encontrar alguém em quem confiem.

Antes da internet era difícil coordenar e liderar uma tribo, hoje mídias sociais permitem que reunamos esse público em uma mesma causa. Entretanto, não podemos acreditar que uma tribo só tenha força pela internet.

Eu participo de um grupo de pessoas que amam andar de bicicleta. Um movimento foi criado há alguns anos para reunir essas pessoas e elas pedalarem juntas várias vezes na semana. Elas eram desconhecidas e se uniram em uma tribo, liderada pela pessoa que foi capaz de criar o movimento, inclusive organizando-o de modo que existem guias voluntários apoiando cada passeio. O que as une é o desejo de ir além, de pedalar muito mais do que fariam sozinhas, se sentirem seguras, apoiadas e em um ambiente de aprendizado sobre esse universo, porque em cada encontro aprende-se novas coisas sobre bicicletas, ciclismo, treinos, equipamentos e acessórios. Essa é uma tribo local, que usa a internet para combinar os encontros. Ninguém paga nada para participar e o prazer do líder é reunir essas pessoas interessadas em um assunto em comum. Esse líder, por sua vez, é respeitado e ouvido. Ele influencia, tem respeito do grupo.

Tribos estão relacionadas com fé, com acreditar em uma ideia e em uma comunidade. Se baseiam no respeito e admiração pelo líder e pelos outros membros também. Seth Godin acredita que isso esteja acontecendo porque muita gente se deu conta de que trabalha muito e quer também trabalhar em coisas que acredita.

Pela primeira vez espera-se que todos em uma organização liderem, não apenas o chefe. Líderes têm seguidores, gerentes têm empregados. Seth Godin

Uma tribo é composta por pessoas com interesse em comum e uma forma de se comunicar. Essa comunicação pode acontecer de líder para tribo, de tribo para líder, de membro da tribo para membro da tribo e de membro da tribo para alguém de fora. O líder, por sua vez, pode ajudar a aumentar a efetividade da tribo e seus membros ao transformar o interesse em comum em uma determinação e desejo ardentes por mudança, prover ferramentas para permitir que os membros de comuniquem melhor e alavancar a tribo para permitir que ela cresça e ganhe novos membros.

Existem líderes e existem aqueles que lideram. Líderes ocupam uma posição de poder e de influência. Os que lideram nos inspiram. Simon Sinek

Em “comece pelo porquê”, Simon Sinek sustenta um padrão que surge naturalmente, uma forma de pensar, agir e se comunicar que dá a algumas pessoas a capacidade de inspirar aqueles que as cercam. Com um pouco de disciplina, esse padrão pode ser aprendido. O senso se propósito é o que vai inspirar pessoas a darem o melhor de si a uma causa expressiva – o porquê. Começar pensando nesse porquê é o que vai levar você a construir uma tribo, composta por pessoas que acreditam no mesmo que você.

Entretanto, é preciso lembrar que um porquê vem do passado e que depois de pensar nele será preciso seguir fiel à uma causa justa. Um porquê é uma história de origem, uma declaração de quem somos, a soma dos nossos valores e crenças. Já a causa justa tem a ver com o futuro, para onde estamos indo, o mundo no qual esperamos viver e que nos comprometemos a ajudar a construir.

A causa justa dá significado ao nosso trabalho e nossa vida.

Sempre que dou treinamentos para executivos sobre thought leadership (liderança de pensamento) enfantizo a importância de existir essa visão clara. É isso que vai trazer pessoas para perto, a partir da admiração e da confiança, porque ninguém vai querer seguir ou se inspirar por uma pessoa que só fala de si ou que é técnico o tempo todo, isso definitivamente não é liderar e não levará à influência.

Quando comecei a criar conteúdo no LinkedIn mesclava bastante os temas, mas em 2016 eu ainda não tinha essa visão de tribo, porquê e causa justa. Muitas vezes será exatamente isso, no meio do caminho é que a ideia se tornará clara, até porque estamos continuamente nos transformando e entendendo pouco a pouco quem somos. Dentre os temas técnicos que escrevi, a maioria de meus artigos, vídeos e posts abordavam carreira, marketing e negócios, mas com o tempo, quando entendi minha causa, expandi meus temas para algo muito além.

Hoje eu chamo de “guarda-chuva de conteúdo” a ideia de que podemos falar sobre muitas coisas. Inclusive no LinkedIn. Inclusive temas não profissionais. Aliás, quer saber? Os técnicos acabam engajando menos, porque eles poderiam ter sido escritos por qualquer outra pessoa. Já o conteúdo que carrega experiências, visões, vivências, toques humanos, vulnerabilidade, histórias únicas, coragem de ser imperfeito e não agradar, esse sim toca as pessoas e só pode ser escrito de uma única forma. Ninguém nunca será capaz de copiar a verdade que existe neles quando você entende quem é e o que está fazendo, quando existe orgulho nessa história. Quando a trajetória é única.

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Hoje a minha causa justa que me leva adiante, que me faz acordar animada todos os dias, que dita os temas dos conteúdos que produzirei e dos produtos que criarei é a noção de que posso mostrar para as pessoas que elas têm voz. Que deveriam se expressar mais, contar suas ideias, criar conteúdo, trabalhar sua marca pessoal. E que elas também deveriam ter mais coragem, mesmo que isso signifique ir com medo. Voz e coragem tornou-se minha causa, porque eu precisei dessas duas coisas para avançar na vida e na profissão, mais do que quaisquer outras pessoas.

A minha causa se conecta com a minha história e tem a minha cara. É sobre as coisas que vivi na pele e que também podem unir uma tribo que acredita no que eu prego. Que é influenciada pelo que eu digo.

Quando falo sobre ter enfrentado o medo de dirigir na estrada para um compromisso profissional pela primeira vez ou sobre ter andado em uma bicicleta em meio a uma rodovia perigosa de uma grande cidade, estou falando sobre ter coragem. Não é um tema técnico, não me reforça como profissional, exatamente, mas diz muito sobre mim, minha essência e o fato de que eu não sou apenas um ser humano que trabalha o tempo todo. Além disso, no final do dia o exemplo de coragem pode ter vindo do dirigir ou do andar de bicicleta, mas pode se encaixar a tantos outros contextos das pessoas que leram sobre aquilo, seja na vida pessoal ou profissional. E tudo isso contribui para se aproximar dessa tribo, ganhar o respeito dela, ser considerado, lembrado e também se diferenciar com uma história única.

E você, já parou para pensar qual é a sua causa justa capaz de influenciar alguém de forma positiva, a ponto de construir sua própria tribo?

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  • Escola de Business Influencers
  • Produção de conteúdo no LinkedIn
  • Thought Leadership
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